A excelência na prática mediúnica

Com o tema, A excelência na prática mediúnica, o 6º Seminário de Mediunidade do MED, Movimento Espírita de Diadema, realizado em 15 de abril no Centro Espírita Obreiros do Senhor, rua Paracatu 92, Taboão em Diadema, contou com a participação de Ana Francisca Zani, expositora espírita de fala cativante e exposição didática.

Nesse dia Ana Francisca Zani inicia sua fala com apontamentos que ela própria realizou enquanto assistia as diversas modalidades mediúnicas realizadas no evento que contou com a participação de espíritas da região. Em suas notas rápidas, Zani destaca que “nós podemos sentir, nós podemos visualizar o Mestre que sempre nos diz: Vamos!”

O Espírito e o Tempo

Zani estruturou sua exposição com base no livro de Herculano Pires, O Espírito e o Tempo, onde recomenda a leitura dessa obra. A palestrante afirma que a evolução da humanidade é uma evolução mediúnica, a mediunidade está na base evolutiva da humanidade na Terra, o progresso não depende exclusivamente dos encarnados, a obra é conjunta entre o mundo visível e o invisível, nesse sentido o papel da mediunidade é fator basilar para a evolução da sociedade.

Os rudimentos da mediunidade na Terra – o sonho.

A mediunidade é fator inerente ao ser humano, todos os seres humanos possuem em maior ou menor grau a capacidade perceptiva do mundo espiritual, desde os tempos imemoriais em que habitávamos as cavernas já as sensações e a comunicação entre os dois planos se faziam presentes, assim encontramos as pinturas rupestres com simbologia inequívoca de uma rotina ambientada na luta pela sobrevivência e no culto à divindade.  O sonho foi a mola propulsora da mediunidade. É no sonho que encontramos os rudimentos mediúnicos no início da jornada humana na Terra, em seu período de sono físico o Espírito encarnado liberto temporariamente da matéria, se comunicava com os espíritos, dentre eles, seus entes queridos, a espiritualidade amiga e aqueles que os perseguiam, tal qual ainda é comum nos dias de hoje, das lembranças desse intercâmbio o homem primitivo delineava sua vida, traçava planos e arquitetava os embriões da civilização.

Horizonte Tribal

Esse mediunismo, então primitivo, natural do médium, estabelecia-se na relação entre o clã e o totem, talismãs e objetos mágicos. Acreditava-se na existência de uma energia misteriosa capaz de impregnar ou imantar os objetos, coisas e mesmo as pessoas, chamada pelos polinésios de Orenda ou Mana, essa força corresponde ao ectoplasma, substância utilizada pelos espíritos para exercerem ações sobre a matéria. Esse intercâmbio com o mundo dos espíritos ainda que de forma primitiva estava presente em todos os aspectos da vida tribal.

O Horizonte Agrícola

Oráculo de Delfos

Com a fixação do homem na terra através da agricultura e do pastoreio, o animismo tribal desenvolve-se como mediunismo oracular, compete ao oráculo o intercâmbio com o mundo invisível e suas divindades, se por um lado o horizonte tribal caracterizou-se pela utilização das energias imantadoras nos totens e nos “objetos mágicos”, no horizonte agrícola é pelo oráculo que se dá a comunicação de forma genérica através de mensagens onde os médiuns respondiam às perguntas feitas pelos homens.

Horizonte Profético

Profeta Isaias

É a fase do mediunismo bíblico, da individualização da mediunidade e do papel do médium como ator social que fala agora da existência de um Deus único e todo poderoso, esse médium profeta distingue-se por sua mediunidade para a tarefa, que chega até os tempos de hoje e ainda nos serve de orientação. Isso é excelência mediúnica.

No velho testamento há inúmeros relatos de atividade mediúnica, no livro de Samuel no capítulo IX versículo 9 lemos: (Antigamente em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia assim: Vinde, vamos ao vidente; porque ao profeta de hoje, outrora se chamava vidente.). Pois bem esse “profeta de hoje” do livro de Samuel antigamente chamado de vidente, hoje em dia é chamado médium.

Em Números capítulo 11 versículo 29 Moisés ao ser instado a proibir a profetização de dois médiuns disse: “…Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas, que o Senhor pusesse o seu espírito sobre eles!

No novo testamento o em sua 1ª epístola o apóstolo João no verso 4 diz: “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.” Tanto Moisés quanto João nos passam a certeza de que a mediunidade precisa ter uma excelência para que possa cumprir seu papel no desenvolvimento da humanidade e que a falta dessa excelência compromete a verdade nas comunicações. “E conhecereis a Verdade e a verdade o libertará.” João 8:32.

Horizonte Espiritual

Entramos no horizonte espiritual, com a mediunidade positivada por Kardec. Com a publicação de O Livro dos Espíritos, Kardec confronta a mediunidade com a ciência e é nesse sentido que a mediunidade está positivada, podendo ser confrontada com a ciência em qualquer tempo da humanidade. Confronta-se com a ciência e com a filosofia e se estabelece enquanto doutrina que resgata os ensinamentos de Jesus e os completa tal qual fora prometido em João 16:12 e 13: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora. Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. “

Nem santo nem demônio

Com o advento do Espiritismo a mediunidade confrontada agora com a ciência, torna-se um fato científico. Pode portanto ser observada e estudada por qualquer um, não é mais privilégio de iniciados ou de profetas, é uma característica inerente ao ser humano, o que cabe dizer é que a mediunidade é instrumento para a evolução do ser e da sociedade. Através dela a humanidade toma ciência de que os Espíritos comunicantes não são uma espécie de seres à parte da humanidade, são nossos semelhantes em diferentes estagios de edificação moral e intelectual, assim como os encarnados. Somos todos semelhantes, outrora classificava-se os Espíritos comunicantes ou como sendo anjos ou como sendo demônios, numa visão maniqueísta entre o Bem e o Mal, hoje isso é diferente.

É a moral do médium que o atesta para a verdade.

O fenômeno mediúnico diz respeito à comunicação entre desencarnados e encarnados, o animismo é a interferência do médium nessa comunicação, isso é gradual e o médium nunca é completamente passivo na comunicação, todos em maior ou menor grau interferem na comunicação. E em virtude disso torna-se necessário que o médium que queira contribuir com a verdade, coloque-se a serviço da verdade, pois que a verdade não pode ser interpretada pela mentira, é a moral do médium que o atesta para a verdade.

Mediunidade e Mediunato

Estamos no tempo da mediunidade e não mais no tempo do mediunismo e isso requer análise e estudo do fato mediúnico. É existente em todas as religiões e o Espiritismo também vale-se da mediunidade, entretanto seu corpo doutrinário alcança a filosofia, a ciência e a religião.

A mediunidade é natural e inerente à todos, mas o Mediunato corresponde à mediunidade de compromissso ou de prova, com atividades específicas para o médium em sua encarnação na Terra, se todos temos mediunidade, nem todos tem o mediunato. O que caracteriza esse mediunato, essa mediunidade de prova é que ela se apresenta em almas fracassadas que contraíram dívidas enormes e que são chamados de médiuns segundo o próprio Emanuel.

De passados repletos de quedas e abusos, retornam em favor das almas desviadas do bem, almas arrependidas que buscam um caminho luminoso através do mediunato. É nessa seara bendita que nos colocamos à serviço do Cristo e é isto que nos redimimos.

Humildade e desprendimento no trato da mediunidade como instrumento de benefício do outro e não para nosso benefício apenas. Não há mais como entender o mundo sem entender a mediunidade, essa comunicação celestial, portanto deve primar por uma excelência que a coloque à serviço do bem coletivo e à caminho da luz, num mediunato em que “nós podemos sentir, nós podemos visualizar o Mestre que sempre nos diz: Vamos!”

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